segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Versos para um anjo

Assusta-me tentar entender o motivo que a fez ir embora tão cedo. Tão cheia de vida, alegre, dedicada, amiga, sonhadora. Sonhos cortados por uma lamentável fatalidade impossível de se esquecer. Lembro exatamente do momento em que um amigo, com os olhos assustados, veio até a mim dando a triste notícia. Eu estudava á tarde, porque nunca gostei de levantar muito cedo, então, depois da aula a gente jogava bola, bola do que tivesse, em um campinho de várzea atrás de casa, até ficar escuro, quando a mãe chamasse: “pra dentro”. E naquele 17 de outubro, não precisei esperar escurecer para entrar em casa. Assim que soube, corri chorando em direção à minha mãe que me abraçou e disse que só o que eu poderia fazer era rezar. Na época, eu tinha em meu quarto, o “cantinho da reza”, onde eu deixava todos aqueles anjinhos que ganhava nas brincadeiras de amigo-secreto, minha bíblia, meu terço... e rezava. Coisa de criança ou não, era daquele cantinho que eu gostava e era naquele cantinho que passei horas pedindo a Deus para que todo aquele tormento fosse um engano, mas não era, Deus tinha acabado de levar um anjo.

Eu, tinha apenas nove anos de idade quando a Lu se foi, mas lembro que a tristeza tomou conta de mim e de tantos outros. Ninguém sabe a verdadeira natureza da morte, cada um acredita no que acredita. Simples assim. Eu creio que a vida após a morte é serena e tranquila, creio que Deus a tenha levado porque tem um plano maior para ela. Sim, a morte é o que há de mais certo na vida, mas quando ela chega é tão difícil de aceitá-la. Só o que podemos fazer é rezar, ter fé acima de tudo, e escrever poemas para os anjos. Poemas pobres? Feios? Jamais! Poemas maravilhosos, mesmo sem rimas ricas, sem versos decassílabos, aliterações, blá-blá-blá... mas, ele vem agregado à uma manifestação da alma. São simples versos que, por mais confuso que pareça, não parecem ser escritos pelo “meu eu” de agora, e sim por uma criança, por uma menina de nove anos de idade que tragicamente perdeu sua amiga há dez anos.

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