domingo, 16 de outubro de 2011

Colapso compassivo

N
inguém mais se conhece nesse mundo. Puta que o pariu! Saber nome e endereço, nos dias atuais, me parece o conceito adequado para o verbo “conhecer”. E talvez por as pessoas não se conhecerem o bastante, elas não aceitam umas às outras como realmente são. Triste é saber que 24 meses não são suficientes para alguém te aceitar como você é (às vezes duas décadas não são, ou uma vida inteira, quem sabe). A verdade é que algumas pessoas querem simplesmente que você seja um projeto que elas arquitetaram, que você se comporte exatamente como elas querem... Ah, desculpa, mas, comigo não! Sinceramente, 24 meses já é tempo demais sendo o seu projetinho fútil. Cara, dois anos equivalem a umas 17.000 horas, se não estou enganada (vale lembrar que a matemática me odeia). Caramba! Só queria saber em que mundo estavam os meus neurônios durante todo esse tempo.
C
achaça da mais vagabunda, e no bolso, os meus enrolados de papel. Há dois anos, naquela noite tão gelada, você parecia não se importar com nada disso. Eu não via mais nada, apenas sentia. Sentia uma coisa maravilhosa que jurei ser pra sempre. Quanta infantilidade! Você parecia me aceitar precisamente como eu era, como eu sou. Sabe, por algum momento tive a certeza de que eu não precisaria ser alterada, modificada, pensei ter vindo pronta de fábrica, achei que você não se importasse com minha maneira de ser, beber, rezar, dançar diferente, fumar, comer cascas estranhas, chorar até as tripas, escrever bobeiras como estas, e amar loucamente alguém que também diz me amar, mas diz me querer com comportamentos diferentes. Que diabos de amor é esse? Ama-se pelo que a pessoa é, e não pelo que queremos que ela seja.
E
 u não preciso nem parar pra pensar se sentirei sua falta, não tenho ao menos 5 cm de dúvida! É claaaaro que vou sentir. Sentirei falta de ver 48 ligações perdidas no meu celular, e também de não ver nossa foto no plano de fundo quando eu abrir o flip. Sejamos realistas, também vou sentir falta da sua moto ^^ (apesar dos tombos), do seu cachorro que a gente levava na mochila, dos jogos de canastra que você sempre ganhava, de ver você trabalhando naquele escritório chato (cá entre nós, contabilidade é chato pra caralho), de te ver ganhando a artilharia dos campeonatos de futebol, de ver você laçando nos rodeios, e até dos seus sertanejos universitários. Podemos tentar sempre, sempre e sempre, nunca vai ser pra sempre se esses seus preceitos banais não aceitarem esse meu mundo que você julga politicamente incorreto.

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