Foi em uma noite tão comum como outras já vividas, comecinho de verão, só mais um sábado mergulhada naquelas luzes coloridas. Mas já fazia algum tempo que por ali eu não andava. Belos corpos, muitos copos, banheiro, seios, tênis, rostos estranhos, passos sincronizados, gritos de admiração, uma felicidade linda. Risos, cochichos, beijos... tudo com muita cor e brilho, menos pra mim! Nada daquilo me importava, pelo menos não naquele momento. E tentava entender o motivo de eu não ter ficado em casa ouvindo Elton John como nas outras vezes.
Eu estava em uma daquelas poltronas lindas, confortáveis do camarote. Quando estava quase pegando no sono a resposta veio de carona com o primeiro copo de uísque, foi ela quem trouxe. E em alguns segundos respondi a mim mesma, o que há umas duas horas me perguntava. Tudo explicado, entendido, transformado. Naquele instante todo o sentimento preto e branco que se fazia presente em mim tomou forma radiante misturando-se com as cores do ambiente. Sapatinho daqueles bem de malandra, uma calça daquelas que eu odeio, cabelos soltos, rosto suado, salgado. E era mais do que eu queria!
Na Avenida principal, ao lado do estacionamento, eu soube tudo de Comércio Exterior e ela tudo sobre o curso de Letras, MENTIRA! Sabíamos apenas nossos nomes e algumas outras coisas, nada que a impedisse de ser uma estupradora ou que me impedisse de ser uma assassina. Assim fomos, na fé! Sem saber ao certo pra onde iríamos, nenhuma! Eu quase não conhecia aquele lugar, ela sim. Um lugar perfeito pra falar sobre a vida, fazer coisas da vida, pensei. NADA!
Tirou do bolso o chicletinho mágico para que eu então conhecesse os elefantes cor-de-rosa, o trem-bala, o motorista maluco querendo me podar pela direita na BR-116 e o macaco roxo tomando caldo de cana no mirante às cinco horas da manhã(!) Sei que ela só queria me mostrar o que meus olhos sãos jamais poderiam ver, e queria que eu permanecesse acordada para que meus olhos não se desviassem daquele rosto lindo. Porque se desviassem, seria como é agora... ela vem, eu vou, liga, chama, conta alguma coisa, novas paixões, ilusões, novos corpos, balinhas diferentes, mas, nada será como aquilo, momentos únicos que não são postos a qualquer tipo de comparação. Porque nada será como foi, e me pergunto quando foi que eu dormi, pra ter me desviado desta maneira.

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